
Jorge nos traços de André Brown
O grandioso escritor Jorge Amado em seu livro de memórias Navegação de Cabotagem, publicado em 1992, escreveu um texto genial a respeito do seu procedimento para com aqueles que não merecem mais seu apreço. Achei um texto brilhante e devo assumir que faço a mesma coisa. Vejam só:
Tenho horror a hospitais, os frios corredores, as salas de espera, ante-salas da morte, mais ainda a cemitérios onde as flores perdem o viço, não há flor bonita em campo-santo. Possuo, no entanto, um cemitério meu, pessoal, eu o construí e inaugurei há alguns anos quando a vida me amadureceu o sentimento. Nele enterro aqueles que matei, ou seja, aqueles que para mim deixaram de existir, morreram: os que um dia tiveram minha estima e a perderam.
Quando um tipo vai além de todas as medidas e de fato me ofende, já com ele não me aborreço, não fico enjoado ou furioso, não brigo, não corto relações, não lhe nego o cumprimento. Enterro-o na vala comum de meu cemitério – nele não existem jazigos de família, túmulos individuais, os mortos jazem em cova rasa, na promiscuidade da salafrarice, do mau-caráter. Para mim o fulano morreu, foi enterrado, faça o que faça já não pode me magoar.
Raros enterros – ainda bem! – de um pérfido, de um perjuro, de um desleal, de alguém que faltou à amizade, traiu o amor, foi por demais interesseiro, falso, hipócrita, arrogante – a impostura e a presunção me ofendem fácil. No pequeno e feio cemitério, sem flores, sem lágrimas, sem um pingo de saudade, apodrecem uns tantos sujeitos, umas poucas mulheres, uns e outras varri da memória, retirei da vida.
Encontro na rua um desses fantasmas, paro a conversar, escuto, correspondo às frases, às saudações, aos elogios, aceito o abraço, o beijo fraterno de Judas. Sigo adiante, o tipo pensa que mais uma vez me enganou, mal sabe ele que está morto e enterrado.
AMADO, Jorge. Navegação de Cabotagem – apontamentos para um livro de memórias que jamais escreverei. São Paulo: Círculo do Livro, 1992.
Localizado no centro da Praça da República, em frente ao majestoso Theatro da Paz, encontra-se um pequeno quiosque, com uma área gradeada e alta, onde podes tomar uns copos, servidos por uns figurões trajados de camisa branca de botão e uma gravata borboleta preta.
Nesta segunda-feira (26/12), o tabloide britânico
Um auto-retrato inacabado do mestre holandês Rembrandt foi descoberto escondido por baixo de uma outra pintura, um quadro de um homem velho com barba, que se considerava até aqui um trabalho de um estudante seguidor de Rembrandt. A descoberta anunciada esta sexta-feira só foi possível através do recurso a técnicas científicas avançadas.
O Dr. 





